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“Povo hondurenho não está disposto a deixar-se vencer”, afirma Zelaya Data: 4 Out 2009 / Autor: alagoas / Categoria: Jorge Vieira, Cultura}

Dafne Melo,
da Redação



Após pouco mais de uma semana na embaixada do Brasil, Manuel Zelaya,
ainda não viu as negociações com o governo golpista avançarem como
gostaria. Para vencer a situação, afirma a necessidade de paciência e
continuar as mobilizações por todo país. Tossindo muito e com uma voz
cansada, ele concedeu por telefone entrevista exclusiva ao Brasil de
Fato da embaixada brasileira em Tegucigalpa.



Brasil de Fato – Existem negociações com os golpistas?

Manuel Zelaya – Há muitas aproximações, mas até o momento nenhuma deu
fruto. Mas, sim, há negociações.



Como estão as mobilizações no país?

As mobilizações estão tendo bastante expressão, mas nossa comunicação
está comprometida, nossos celulares foram cortados. Mas estamos
resistindo com muito estoicismo, muita paciência, porque o bem supremo
tem um custo e esperamos conseguir restituir o sistema democrático. As
mobilizações continuam em todo país, mas estão sendo muito reprimidas
pelas forças armadas e pela polícia. Há um estado de ingovernabilidade
que creio que deve ser solucionado nas próximas horas. Creio que um
país não pode viver em convulsão, a não ser que queiramos viver como
no Afeganistão. A América Latina não merece isso, o povo hondurenho
não merece.

Reverter o golpe de Estado em Honduras vai ser uma vacina contra os
golpes de Estado em todos países da América, incluindo Brasil,
reverter vai ser parte da história do Brasil e da América Latina por
sociedades mais democráticas que respeitem a soberania popular.
Estamos escrevendo história junto com o Brasil



Como avalia a postura do governo brasileiro?

O governo brasileiro e o presidente Lula têm demonstrado sua vocação
democrática ao aceitar que seja feito um diálogo a partir da
embaixada, e que quem deve fazer parte desse diálogo é o presidente
que eles reconhecem, o governo eleito pelo povo. Isso fala muito da
estatura moral e política continental que tem o presidente do Brasil.
Nós queremos que esse processo dure o menor tempo possível para
devolver à América Latina a certeza de que não serão permitidos golpes
de Estado no século 21.



Quais são as alternativas, caso não se consiga uma saída diplomática?

A alternativa que temos é manter a luta. O povo hondurenho não está
disposto a deixar-se vencer e ajoelhar-se diante de uma ditadura
militar. Então, por agora, mantemos as mobilizações e também contamos
com o apoio da comunidade internacional.



No Brasil existe uma especulação a respeito de se Lula participou de
algum plano para sua volta. O governo nega e diz que foi avisado uma
hora antes. O senhor confirma essa informação?

Nem o presidente Lula, nem Marco Aurélio [Garcia], nem o chanceler
[Celso] Amorim sabiam da minha chegada a Tegucigalpa com antecedência.
Quando cheguei tinha várias opções. Mas escolhi o Brasil. Falei com o
Amorim, expliquei que queria tentar algum diálogo a partir daqui,
também por motivos de segurança, por temor a represálias ou de ser
sacrificado pelo regime. E me disseram que podia ir. Mas só souberam
nesse momento.

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