A história da América Latina e do Caribe é marcada historicamente pela utilização dos colonizadores como território de exploração da riqueza natural e de suas populações. As atrocidades ocorreram com o genocídio e do etnocídio praticados pelos invasores. Nos tempos modernos, a Grande Pátria foi sugada pelas políticas implantadas pelos europeus e estadunidenses, usando as elites brancas nativas, a exemplo da Guerra da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) no século XIX e os golpes militares na segunda metade do século XX.
Na escola de Chicago ideólogos estruturam o neoliberalismo, mas foi no Chile, sob o comando do ditador Augusto Pinochet implantou-se a cartilha do Estado mínimo: privatização dos direitos sociais e das empresas estatais, precarização do trabalho e das políticas sociais.
A Igreja Católica, de Bartolomeu de Las Casas e das Conferências Episcopais Latino-Americanas (CELAM), posicionou-se contra a exploração de indígenas, negros e pobres. Em 1968, na cidade de Medellin, Colômbia, os bispos analisam a pobreza como resultado de um processo histórico de exploração. E, portanto, a solução não está numa ação de caridade, mas na transformação das estruturas injustas.
Na sociedade, constata-se a resistência histórica de grupos indígenas e afrodescendentes, líderes populares e revolucionários. No México, em reação ao NAFTA (área de livre comércio entre Estados Unidos, Canadá e México), levantou-se o movimento indígena de Chiapas, liderado pelo comandante Marcos, em janeiro de 1994, apoiado pela igreja local.
No Brasil, juntando-se aos movimentos sociais, partidos políticos de esquerda, movimentos sindical, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pastorais sociais, movimentos e lideranças eclesiásticas construíram o processo de resistência às medidas neoliberalismo capitaneada pelos partidos da burguesia subserviente aos interesses do capital internacional.
Nesse processo, destaca-se inicialmente a resistência histórica de Cuba, desencadeando a eleição de Hugo Chaves na Venezuela, Lula no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Manoel Correa no Equador, culminando com a chegada ao poder de outros presidentes na região contrários à dominação estadunidense e européia.
Na conjuntura latino-americana, destaca-se a ação da Igreja e o seu compromisso com transformação da sociedade e a construção do Reino de Deus. A sua ação se materializa no fortalecimento dos organismos de pastorais, no apoio às políticas públicas de democratização da terra e dos recursos naturais e no combate à concentração de renda e ao modelo de Estado privatizado.
* Diplomado pela UFAL.
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