Jorge Vieira*
Em plena realização da IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas, 30 de novembro, edição em que será lançado mais um livro sobre as populações indígenas de Alagoas, morre em Paris, França, próximo a completar 101 anos de vida, o estruturalista Claude Lévi-Strauss. Reconhecido como ícone da Antropologia no século XX, destacou-se como um dos professores fundadores da Universidade de São Paulo (USP) e, principalmente, pela pesquisa entre indígenas do Centro-Oeste brasileiro, contribuindo, assim, com uma nova visão sobre essas populações tradicionais.
A memória escrita sobre as populações indígenas em Alagoas remetem a relatos, documentos eclesiásticos e a notícias do período Colonial às pesquisas desenvolvidas por historiadores, antropólogos, estudantes de graduação e pós-graduação das Instituições de Ensino Superior (IES) de Alagoas e de outros estados brasileiros.
Inicialmente, considerando os trabalhos de caráter histórico, destacam-se os escritos de Estevão Pinto na década de 1940 e do professor Clóvis Antunes (então padre católico) sobre os indígenas de Alagoas, na década de 1970, publicou o livro Índios de Alagoas. Esta obra provocou profunda repercussão na luta e organização das populações, tornando referência para a militância indigenista. Segundo relato do autor, o interesse pelo assunto começou por acaso: “encontrava-se em casa, quando chegou o então prefeito de Palmeira dos Índios e um pesquisador estadunidense, querendo ter contato com o povo Xucuru-Kariri, para obter informações sobre a origem da linguagem. Na aldeia, com as lideranças, fazia a tradução. Nesse processo, questionou-se: como um estrangeiro vem de tão longe para pesquisar, enquanto que os índios tão próximos e os alagoanos não a fazem!”
As publicações de cunho científico aparecerão posteriormente com antropóloga Clarice Novaes na pesquisa de doutorado em Kariri-Xokó, Porto Real do Colégio. Na década de 1990, um grupo de estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) – dentre eles o autor deste artigo -, coordenado pelo professor Luiz Sávio de Almeida, organizaram uma pesquisa socioeconômica com o povo Karapotó, no município de São Sebastião.
A partir daí, uma série de publicações foi realizada na coleção Índios do Nordeste: Temas e Problemas, chegando ao XI volume nessa Bienal do Livro. Enquanto isso, monografias de graduação e de pós-graduação lato sensu, artigos científicos, dissertações de mestrados e tese de doutoramento foram defendidas e publicadas.
Apesar do triunfo dos vencedores, se escuta os gemidos dos vencidos e ressoam vozes clamando por justiça.
* Jornalista diplomado pela UFAL e professor do CESMAC.
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