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A violência em Alagoas tem solução? Data: 12 Dez 2009 / Autor: alagoas / Categoria: Jorge Vieira}

Jorge Vieira*

Infelizmente, mais uma vez o estado de Alagoas é citado em pesquisas e o seu nome é veiculado negativamente pelos meios de comunicação. Desta vez é o altíssimo índice de violência! Nos noticiários locais, a tônica de maior visibilidade é essa temática. Essa questão, para a população, já se tornou um drama cotidiano. Dificilmente encontra-se alguém que já não foi violentado e não teve sua casa ou seu carro arrombado, no mínimo!

A solução apontada pelas autoridades governamentais é um discurso repetitivo e voltado para o marketing visando as próximas disputas eleitorais. Enquanto os políticos utilizam os dados para se defender ou atacar, os alagoanos ficam à mercê da marginalidade.

Mais não basta identificar, e até prender, aqueles que praticam a violência banalizada do cotidiano. É preciso buscar causas, identificar os responsáveis e ter opção política, planejar e construir estratégia de ação.

Pode-se até se perguntar: por que não basta prender?! Primeiro, o delinqüente preso é, em sua maioria, produto da própria sociedade que o marginaliza secularmente, que são os pobres. Mas não acontece nada com aqueles que se apropriam dos recursos públicos da educação, saúde e moradia.

Como um exemplo puxa outro, a maioridade da sociedade alagoana só vê os maus exemplos, e até copia. Lamentavelmente, quando esse assunto é tratado em rodas de amigos, na sala de aula, na igreja, o que se escuta é que “não adiante fazer nada, por que foi assim. Se tivesse oportunidade, faria o mesmo”.

Se a lógica é essa, não se constrói uma sociedade sadia quando o princípio é individualismo. Ao contrário da sociabilidade, do bem-estar e da harmonia e igualdade e tratamento igual para todos, gera-se a selvageria.

Primeiramente, precisa-se assumir efetivamente as causas do problema, considerando a competência de cada esfera de governo, de cada instituição e de cada membro da sociedade.

Basta de discursos hipócritas e eleitoreiros! Saber a raiz do problema, todos sabem. A questão é, a quem interessa manter as desigualdades sociais, com a miséria de um lado e a abundância de outro?! A questão é que, a parcela social que tem sua mesa farta, carros importados e viagens turísticas internacionais na bagagem, só se dá conta quando é atingida pela brutalidade da vida cotidiana. Enquanto estiver olhando para o umbigo, a situação pode se agravar cada vez mais. A sociedade que aí está não interessa a ninguém!

Entretanto, a Igreja Católica, em Maceió, em nível de sua competência, tem realizado algumas iniciativas no sentido de sinalizar para a construção da Esperança e da Paz. Outras instituições precisam construir ações nessa mesma direção, a exemplo das escolas públicas e privadas, as igrejas, sindicatos e movimentos sociais.

A realidade pode mudar! Agora, para que as ações governamentais aconteçam, é preciso que a sociedade se conscientize e atue no seu papel, se organizando e cobrando permanentemente seus direitos de cidadão e cidadã. Além das ações cotidianas, como será o voto do eleitorado alagoano nas próximas eleições?!

* Jornalista diplomado pela UFAL e professor do CESMAC.

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