Aproxima-se 2010! No final de 2008, vivia-se (os brasileiros) uma expectativa duvidosa para 2009, alimentada pela crise econômica mundial - concordata de grandes empresas, fechamento de outras e perigo de estagnação do mercado e desemprego em massa. Entretanto, o que se viu com a chegada do ano novo, foi um volume altíssimo de investimento na economia, construção de obras e volta do crescimento econômico.
Nessas últimas duas décadas, este articulista analisou por várias vezes o cenário social e econômico e o sentimento da população brasileira. Observava-se uma economia em crise permanente, índice de desemprego a cada mês aumentando, êxodo rural, miséria galopante por todos os lados, falta de assistência à saúde e educação. Em âmbito geral, um clima de depressão e falta de perspectiva instalado na maioria do povo brasileiro.
Em oito anos de mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a sua política neoliberal aprofundou ainda mais o clima de desespero e falta de auto-estima, impulsionado pela a precarização das políticas públicas e privatização das empresas estatais. O que se via era um gigante adormecido nos braços das grandes potências e submetido aos interesses do capital internacional.
Olhando o período posterior, o cenário mudou. Com o investimento maciço do setor público na economia, o Brasil está superando paulatinamente as conseqüências da cartilha liberalizante, as políticas públicas de assistências voltaram a funcionar e a maioria da população voltou a sonhar com uma expectativa de um país para todos.
Pode-se ressaltar a educação. Anteriormente, o que os meios de comunicação veiculam era o analfabetismo, crianças fora da sala de aula, expresso também pelos movimentos sociais. Atualmente, essas demandas não foram erradicas completamente, mas a ênfase está na discussão da qualidade ofertada. Esse dado representa o quanto tem sido investido nessa área pelo governo Federal. Constata-se a ampliação de vagas nas escolas de ensino fundamental e médio, como também em nível universitário.
Há demandas reprimidas no bojo da sociedade. Um dos gargalos da política brasileira é a reforma agrária e a demarcação das terras indígenas. Sabe-se que essas questões tratam diretamente com os setores mais reacionários e mais organizados economicamente brasileiro, que são representados pelos latifundiários, o agronegócio e interesses do capital internacional. O exemplo mais gritante está na região centro-oeste, o genocídio praticado contra o povo Kaiowá-Guarani. Por mais que o governo crie os Grupos de Técnicos (GT) para executar os procedimentos legais para a demarcação do território esse povo, os interesses incrustados na classe política e em meios judiciais impedem a sua finalização.
Dois mil e dez se aproxima! É ano de copa mundial e de eleições no Brasil. A população brasileira, amante do futebol, precisa estar em alerta para os projetos que estarão em disputa no processo eleitoral; volta à receita neoliberal ou avanço na construção do Novo Brasil. Nesse contexto, além da presidência, está incluído a eleição de governantes locais e congressistas comprometidos político e eticamente com o aprofundamento das mudanças sociais e econômicas.
•Jornalista.
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