Usina Laginha volta a moer cana depois de superar tragédia PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Alagoas Notícias   
Dom, 12 de Dezembro de 2010 17:49

Economia de União dos Palmares comemora retorno da maior empregadora da Zona da Mata

Gilson Monteiro - repórter

A economia da região da Zona da Mata alagoana deu, na última sexta-feira (10), o primeiro passo para a recuperação após a enchente do mês de junho, com o início da moagem da usina Laginha, em União dos Palmares. Serão 700 mil toneladas de cana-de-açúcar moídas, 100 mil toneladas a mais que a safra passada, com uma produção de 600 mil litros de álcool/dia.Laginha_1.jpg
Os números ganham ainda mais relevância considerando os estragos causados pela chuva, que atrasou a moagem em quase três meses, exigindo um trabalho de recuperação, onde toda a equipe do Grupo João Lyra não poupou esforços para reerguer as instalações e devolver a Usina à população, pronta para funcionar em menos de seis meses. Para dar conta da produção, parte da cana esta sendo moída na Usina Uruba.
“A enchente aconteceu em 18 de junho, e no dia 20 o doutor João Lyra visitou o que restou da Usina e determinou que no dia seguinte começássemos os trabalhos de reconstrução. Vale destacar que trabalhávamos com uma estimativa de uma produção de moer 700 mil toneladas de cana e, mesmo com os problemas provocados pela enchente, iremos conseguir essa marca, que supera a safra anterior em 100 mil toneladas”, comemora o superintendente Industrial do Grupo João Lyra, Warriman José Feitosa da Silva.
“Inicialmente houve quem fizesse uma estimativa de que só voltássemos a produzir em janeiro. Mas, o próprio João Lyra fez uma promessa a todos e firmou o dia 10 de dezembro como uma meta para retornarmos às atividades, e hoje estamos aqui,  cumprindo com o que foi prometido, devolvendo a usina à economia de Alagoas”, declara Feitosa.
5 MIL EMPREGOS - O diretor Administrativo e Operacional, Aristóteles Ramos Cardoso, ressalta a relevância da empresa para a geração de emprego e renda na região da Mata.
“São 5 mil postos de trabalho, o que representa um peso muito grande para a economia da região. Tivemos uma orientação de que não houvesse demissões, mesmo diante das adversidades conservamos os postos de trabalho. Toda a empresa atravessou essa adversidade e conseguimos garantir esses empregos”, afirma Aristóteles.
Dentro da política de recuperação da economia local, desde o mês passado a usina iniciou as recontratações de cerca de 3 mil funcionários que normalmente trabalham no período de moagem.
“Começamos a recontratar os funcionários que necessitamos para colocar a usina para moer. É uma mão-de-obra que já fica a espera desses postos de trabalho e que ajuda a soerguer a economia da região. O mais importante de colocar a usina de pé outra vez foi justamente recuperar esses postos de trabalho. Esse momento é histórico para a região.  A paixão da população da cidade pela usina é impressionando e até emociona”, conclui o diretor Administrativo e Operacional.


Recuperação custou R$ 30 milhões
Passada a tragédia das chuvas que emocionou o País, com tanques gigantescos sendo levados pelas águas, o Grupo João Lyra iniciou poucos dias depois os trabalhos de recuperação da Usina Laginha. Foram R$ 30 milhões em recursos próprios, sem a ajuda de governo ou outras fontes.
“A destruição foi realmente muito grande. Tanques de álcool foram levados pelas águas. Toda a estrutura do escritório foi abaixo. A balança também foi destruída. Mas, trabalhamos para que tudo voltasse ao normal no menor tempo possível e hoje estamos aqui. Toda essa recuperação custou R$ 30 milhões investidos com recursos próprios, sem entrar dinheiro de governo federal ou estadual”, afirma o diretor Administrativo e Operacional, Aristóteles Ramos, enquanto apresentava as instalações reconstruídas à reportagem de O JORNAL.
Segundo ele, com a usina paralisada, o faturamento da empresa registrou uma queda de R$ 40 milhões.
“Nessas últimas 10 semanas tivemos um prejuízo de R$ 40 milhões, que é uma cifra grande, mas que impulsionou o grupo a correr ainda mais para recuperar essas perdas, com as obras a todo vapor. Com o trabalho de todos, recuperaremos esse faturamento”, afirma.
Aproveitando a recuperação da estrutura física da Usina Laginha, o Grupo João Lyra decidiu reforçar a faixa de mata ciliar do Rio Mundaú. “Agora, na área próxima onde ficava o antigo escritório, estamos plantando árvores, para reforçar a área de mata ciliar, que só vem a colaborar com o meio ambiente”, afirma o Aristóteles.
A ENCHENTE
A inundação dos rios Canhoto e Mudaú, na zona da mata alagoana, entre os dias 18 e 19 de junho, ficou na história como uma das maiores já registradas na história do Estado. A destruição, que também atingiu municípios do estado vizinho de Pernambuco, deixou em Alagoas 26 mortes e 73 mil desabrigados.
Quinze municípios sofreram com a força das águas, com a maior destruição atingindo as cidades de Santana do Mundaú e Branquinha. Nessas duas cidades, a maior parte dos prédios públicos foi destruída, além de boa parte de áreas residenciais.  Segundo a Defesa Civil, cerca de 200 km de rodovias foram danificados.
A tragédia de proporções inédita foi vista de perto pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou o envio de mais de R$ 200 milhões em ajuda financeira para a reconstrução das cidades.
Até hoje centenas de famílias residem em barracas da Defesa Civil, aguardando a construção de conjuntos habitacionais com recursos federais.

 

Faturamento do comércio aumenta com a Laginha em operação
Com cinco mil postos de trabalho em época de moagem, o peso da geração de emprego e renda na região da Zona da Mata está na ponta do lápis dos comerciantes e empresários da região.  Segundo a Câmara de Diretores Logistas (CDL) da região, que reúne comerciantes de cinco municípios, com a Usina Laginha fora de operação, a queda no faturamento chegou a 20%.
“União dos Palmares tem cerca de 60 mil habitantes e a Usina oferece 5 mil empregos diretos. É um peso muito forte em nossa economia, influenciando fortemente em nosso comércio. Se compararmos com o mesmo período do ano passado, sem a usina moer o comércio registra uma queda de cerca de 20% no faturamento”, calcula o presidente do CDL, José Mendes de Amorim.
A gerente de um dos maiores supermercados da cidade, Rosilda Gerônimo, confirma a estimativa do CDL. “Sentimos o efeito nas vendas sim. Acho que sem a moagem as vendas caem, acredito, que cerca de 25 %”, lamenta a gerente.
FEIRA-LIVRE – No chamado mercado informal, o peso da Usina Laginha no faturamento das centenas de comerciantes das feiras-livres da região parece ser ainda maior. Diversos comerciantes ouvidos pela reportagem, na feira-livre de União dos Palmares, foram enfáticos em dizer que, com a Usina Laginha fora de operação, praticamente “não haverá natal” para os comerciantes.
“Até agora não tivemos ainda aquele aumento nas vendas que sempre temos nessa época do ano. Ótima  notícia saber que a Usina está voltando a moer, pois mais da metade de nossas vendas depende do dinheiro que sai da lá. E este ano, estávamos preocupados, pois sem a Usina moer, não haveria natal para os feirantes”, afirma dona Luíza Maria Batista Souza, que comercializa confecções há 35 anos em feiras-livres de União e municípios vizinhos.
Maria Roselane Mendes, que também comercializa roupas há mais de duas décadas em União dos Palmares, diz que até o momento, 2010 esta sendo um dos piores natais em termos de vendas.
“Sem a Usina não temos comércio. Esse ano está muito ruim, ainda bem que a Usina vai moer, pois até agora as vendas estão muito ruim, muito pior do que anos passados. Praticamente 100% das vendas dependem desse dinheiro da moagem. Espero agora que com a Usina voltando, isso melhoer nesta reta final do ano”, conta a comerciante, reclamando que o esposo teve que recorrer a parentes para conseguir emprego, enquanto a Usina Laginha estava em fase de reconstrução.
“Ele [o esposo] fez o cadastro, mas como aconteceu a enchente ele teve que aguardar. O jeito foi o meu irmão colocá-lo como motorista da empresa dele. Emprego aqui é muito difícil e a Laginha sempre oferece muitas vagas”, conta a comerciante.
Para trabalhadores rurais, Laginha alavanca economia
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União dos Palmares, Petrúcio Ferreira dos Santos, o retorno da Usina Laginha à produção alavanca a economia da região, que andava comprometida sem a empresa.
“Com força e vendo a necessidade da Laginha para a região, graças a Deus a usina volta à atividade, reerguendo a economia do município e da região. Uma economia que além da Usina só tem uma indústria de lacticínio e a prefeitura”, teoriza o agricultor, ressaltando o tratamento da empresa com os trabalhadores rurais. Segundo o sindicalista, 2 mil agricultores que trabalham na Laginha são inscritos na entidade.
“Se a gente comparar com a realidade do passado, hoje as condições de trabalho do homem do campo, do trabalhador rural, são muito melhores. A Usina Laginha tem cumprido com as condições de trabalho, com equipamentos e transportes adequados como devem ser”, afirma Petrúcio Ferreira.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais diz que diante das adversidades, muitos chegaram a não acreditar que a Usina Laginha voltasse a operar.
“Muitos pensavam que a Usina não ia mais renascer, que iria parar, depois da tragédia da enchente. Realmente houve quem duvidasse que a Laginha voltaria, diante de tudo o que aconteceu. Mas, o trabalho de recuperação foi muito grande, e agora teremos essa grande fonte de mão-de-obra de volta. O comércio é reaquecido, com a economia sendo alavancada pela usina”, conclui Ferreira.