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Quitundense aprovado no Real Madrid no passado, sonha com nova chance

Luiz Henrique Pety, aos 21 anos de idade, trabalha hoje em uma fábrica de reciclagem em Minas Gerais

22/06/2020 09h42 Atualizada há 3 meses
Por: Rafael Sobral
Arquivo Pessoal
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A história dos primeiros passos de Luiz Henrique no futebol poderia começar a ser contada com um "era uma vez". Ter um pré-contrato com o Real Madrid antes dos 17 anos, afinal, é um verdadeiro conto para qualquer garoto que quer ser jogador de futebol. Porém, como em toda boa história existem os vilões que o próprio Luiz Henrique elencou: dirigentes que não cumprem com a palavra, empresários que pagam para ver o cliente em campo e... ele mesmo, ao admitir os atos de indisciplina ao deixar de ir para escola quando estava na base no Cruzeiro. Aos 21 anos, trabalhando em uma empresa de reciclados em Uberaba, ainda há tempo de ter um final feliz.

Antes mesmo de conseguir falar, o garoto de São Luís do Quitunde, no interior de Alagoas, ganhou apelido de craque. Uma das primeiras coisas que falou foi "Eu sou o Pet". A influência veio das narrações do gol do sérvio na final do Campeonato Carioca de 2001 contra o Vasco.

Apelido e atributos de craque. A intimidade com do garoto com a bola foi registrada anos depois pelo pai, Amaro Esperidião.

– Eu tinha 9 anos e jogava em um time da minha cidade, o São Luís. Meu pai comprou uma câmera na época e começou a filmar meus treinos, os jogos e postava no YouTube. Foi quando um empresário viu, se interessou e me chamou para jogar em São Paulo. Joguei no Olé Brasil por três anos – lembrou Pety.

Arquivo Pessoal

 

Do interior de São Paulo para ingressar a base do Cruzeiro bastou um olhar. De três em três meses, o garoto fazia o caminho de Ribeirão Preto a Belo Horizonte para fazer avaliações até a aprovação final. Na Raposa, ficaria por duas temporadas. Foi quando atuava pelo Cruzeiro que a Espanha cruzou o caminho de Pety.

– Não tinha idade para ficar alojado. Fui aprovado e fiquei dois anos e meio no Cruzeiro. Foi nesta época que apareceram convites para jogar fora. Teve a oportunidade de ir para o Betis. Fiz avaliação, fui aprovado, mas o clube estava passando por dificuldades financeiras – lembrou.

Foi durante um jantar que veio a ligação de um gigante europeu.

– Estávamos no restaurante quando surgiu a ligação do Real Madrid querendo que eu fosse fazer avaliação lá. Fiz duas semanas, fui aprovado. Disse que voltaria quando tivesse 18 anos. Nesse tempo fiquei mandando vídeos – lembrou Pety.

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O garoto chegou a tirar fotos com o uniforme do clube, no Santiago Bernabéu e publicar fotos dos treinos no CT merengue. Pety, no entanto, não ficou na Europa, pois para disputar campeonatos sub-18 pelo Real, ele precisava que o clube pagasse a estadia da família dele em Madrid.

Problemas na escola

 

Em campo ia tudo bem. O garoto chegou a ser comparado com o craque argentino Maradona pela imprensa italiana. Não só pelas características: baixinho e canhoto, mas também pela habilidade driblador e rápido. O problema era fora de campo. Pety se lembra que a diretoria celeste cobrava muito que os atletas frequentassem a escola e tivessem boas notas. Mas não era o forte dele.

– Na parte técnica, não tinham o que cobrar. Mas cobravam mesmo só a parte de ir para escola. No Cruzeiro foi parte indisciplinar minha, de não ir para a escola. Cobravam muito do jogador. Saí do Cruzeiro tinha 15 anos e não voltei para o Real. Não renovei o contrato com o empresário e acabei perdendo os contatos – disse.

Depois do Cruzeiro, Pety foi para o Flamengo onde o rendimento não foi o mesmo.

– Fiz avaliação no Flamengo, mas me levaram para jogar com a garotada de testes. Fiz, pediram para ficar mais uma semana e fazer teste com o grupo. Se joguei de 10 a 15 minutos foi muito. Não tive aproveitamento. Depois fui para clubes menores, como Monte Azul, Comercial, Botafogo-SP – ressaltou.

Foi durante esta fase que Pety começou a se desiludir com futebol. Para quem esteve dentro de um dos maiores clubes do mundo, encarar a realidade de atraso de salários, calote de dirigentes, influência de empresários foi desanimador.

– Não tenho mais empresário para me colocar nos clubes. O que me fez parar jogar é que o meio é um dos mais traiçoeiros. Um querendo derrubar o outro. Vi empresário pagando para colocar jogadores para jogar. Fui começando a desmotivar. Os times menores falavam que iam pagar: não pagavam ou pagavam atrasado. Recebia até menos de um salário mínimo. Me fez querer sair e trabalhar para fazer minhas coisas. Não estava tendo no futebol – afirmou.

Resolveu parar no ano passado e foi morar com o pai, em Uberaba, que conseguiu emprego para ele na empresa de reciclagem. O garoto, porém, ainda quer ter a chance de fazer um final feliz para a história dele.

– Nesta idade não é bom ficar dependendo. Queria sair e tinha que ficar pedindo. Queria ter meu próprio dinheiro e isso me fez parar de jogar. O meu maior sonho é voltar a jogar. O que falta para mim é oportunidade – concluiu.

Alagoas Notícias com Globo Esporte 

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